Acabo de assistir alguns episódios de Brave 10 e a minha irritação exige que eu escreva este post da revolta.

Brave 10 poderia ser um anime bacana. O design é bonito, a animação tem qualidade e a história é razoavelmente interessante. O que estraga é a Izanami, que parece a reencarnação da Miaka de Fushigi Yuugi (aaarrrghhh). Chorona, inútil e sem simancol – como é que uma jovem que não sabe se defender insiste em acompanhar guerreiros numa missão perigosa? Que menina “bondosa” é essa que se fia nos outros para defendê-la enquanto se mete em encrenca após encrenca? Não há nenhuma qualidade redentora nela, nem humor, nem beleza, nenhuma característica instigante, nada.

Brave 10

Brave 10: a Izanami está chegando perto de destronar a Miaka como “personagem mais chata da história” na minha lista pessoal de animes…

Uma das razões para eu gostar de yaoi, shonen ai, fanservice é a escassez de bons personagens femininos. Eu entendo que os homens tenham lá as suas fantasias – ser um herói e salvar donzelas em perigo, essas coisas. Acho perfeitamente razoável que mangás/animes voltados para o público masculino tenham donzelas indefesas em profusão. Também entendo que mesmo hoje em dia, muitas meninas ainda sonham ser a princesa salva pelo herói galante e bonitão. Não vejo problema nisso. O que me desagrada é quando tentam vender gato por lebre. O que me desagrada são os estereótipos pobres, sem fundamentos sólidos (sim, estereótipos com fundamentos sólidos existem, e os grandes personagens dos contos de fadas são um bom exemplo disso), sem absolutamente nada de interessante. Abaixo seguem alguns tipos de personagens femininos comuns em mangás e animes que me irritam demais.

Estereótipo 1: a moça que dizem ter um IMENSO PODER, que todos estão ávidos por conseguir, mas que passa o anime inteiro sendo salva de tentativas de sequestro, assassinato, etc., chorando e se descabelando porque “está causando problema para todos” mas NUNCA FAZ PORCARIA NENHUMA COM O PODER QUE TEM. E o pior, quando ela tenta buscar formas de  se defender, de fazer alguma coisa sozinha, sempre se mete em encrenca e “aprende” que o melhor que ela pode fazer é “confiar” no seu herói para salvá-la do perigo.

Estereótipo 2: a moça que é apresentada como uma PODEROSA GUERREIRA, que nunca foi derrotada antes… e por algum golpe baixo da imaginação do escritor (envenenamento, doença terminal, etc) acaba sendo aprisionada pelo vilão e salva pelo herói QUE NÃO TINHA UM DÉCIMO DO PODER DELA.

Estereótipo 3: a moça que chega desafiando o herói, insistindo em competir em pé de igualdade com ele… apenas para se apaixonar por ele e começar a “perceber” como “as costas de um homem são largas” e “como ela foi tola de achar que poderia ser melhor do que ele”. AAhh, que nojo, que asco!

Para mim, isso é enganar o espectador. Como eu já disse antes, não tenho nada contra donzelas-em-perigo, desde que sejam honestas. Há muitas formas inteligentes e divertidas de construir esse tipo de personagem sem recorrer a golpes baixos.

EU NÃO GOSTO

fushigi yuugi

TAMAHOMEEEE! Nunca um personagem feminino me irritou tanto quanto a Miaka de Fushigi Yuugi.

saint seiya

Atena de Saint Seiya: como é que alguém que dizem ser a reencarnação de uma deusa-guerreira, que nem mesmo o próprio Deus da Guerra vencia em combate, pode ser tão inútil?

angelique

Angelique: “kawaii” sem substância é que nem doce malfeito: enjoativo, melado e deixa um gosto ruim na boca depois.

EU GOSTO

zatch bell

Zatch Bell tem um bom elenco feminino: a hilária “donzela indefesa” Suzy, a discreta e eficiente Megumi, as lutadoras Cherry e Li-en.

sket dance

Sket Dance: a série ainda não terminou, mas pelo menos por enquanto a Hime tem o meu respeito. Ela é forte, extremamente engraçada e muito humana. Espero que o anime não mude de rumo e ela acabe “descobrindo a sua feminilidade” – o que, nos animes, quase sempre significa ser submissa aos homens.

Ikoku meiro no croisse

Ikoku Meiro no Croisse: A minúscula e delicada Yune é a prova irrefutável que “kawaii” não precisa ser sinônimo de “irritante”. Ela consegue ser uma protagonista fofíssima sem melodrama, sem lágrimas, e com muita força interior.

Pra encerrar este post revoltado, retorno a Brave 10 que foi o estopim de tudo: como eu disse, a Izanami é um porre, mas eu pretendo assistir mais alguns episódios por causa dos outros personagens que são bem interessantes. Gosto da versão deles do Sarutobi Sasuke (bem diferente daquele de Sengoku Basara) e da Anastacia, ela sim me parece um personagem feminino que vale a pena, se bem que tenho muito receio de que a ninja russa não vá ter um final feliz nessa história. Só o futuro dirá se Brave 10 vai merecer uma review completa aqui ou não.

Yakko, over and out.

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